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Ter Liberdade; Ser Livre

 

        Nos tempos que correm, verifico que muitas pessoas julgam e defendem VIVER EM LIBERDADE só porque lhes é concedido uma área de circulação e de intervenção, embora muitas vezes condicionada, ou porque apenas têm liberdade de expressão ou porque apenas têm liberdade de decisão.

 

            Muitas pessoas, à semelhança dos animais selvagens, têm a liberdade de circular e de intervir, sem grandes restrições, mas têm o poder de decisão bastante condicionado ao fazerem suas escolhas de modo reativo face a desejos corporais e mentais, a “fantasmas” e medos criados em suas mentes - têm liberdade, mas não são livres. Outros, à semelhança dos animais domésticos criados em “cativeiro”, têm o espaço de circulação e de intervenção mais limitado e também não detêm o poder da decisão - não têm liberdade nem são livres.  Um terceiro grupo de pessoas, têm a liberdade para decidir mas não lhes é facultada circulação, ação ou expressão - são livres mas não têm liberdade.

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          Em qualquer das três situações não se pode dizer que tais pessoas vivam em liberdade pois VIVER EM LIBERDADE implica SER LIVRE e TER LIBERDADE.

 

          A LIBERDADE tem dupla natureza: uma endógena, com origem na mente de cada pessoa, e uma exógena, que é atribuída a que um pelos seus semelhantes. 

 

          O SER LIVRE resulta de um processo endógeno ao ser humano que se traduz na escolha por cada indivíduo de soluções de defesa do bem comum e de direitos consensualmente defendidos, na tomada de decisões baseadas nos valores e princípios culturalmente assimilados e transmitidos pela nossa sociedade como imprescindíveis ao normal funcionamento da sociedade e à defesa dos direitos humanos, livre da subordinação a desejos, ou a medos resultantes da sobrevalorização de memórias negativas ou da imaginação de consequências não desejadas, em anulação da sua vontade e em oposição ao que se acha certo, à independência da razão sobre as emoções. Todo aquele que decide condicionado por interesses individuais, desejos ou medos não é livre, pois apenas está a reagir a memórias, ao desconforto que tal medo gera no organismo ou ao conforto associado à satisfação de interesses egoístas, a “avisos de alarme” oriundos do seu subconsciente, não detendo a capacidade de controlo da vontade mental sobre os desejos e impulsos apesar de discernir o certo do errado, o bem do mal. Reage instintivamente ou mentalmente de forma primitiva, mas não racionalmente, em desobediência à sua vontade, estabelecendo associações do tipo causa/efeito (desejos ou recordações más/prejuízo), a não ser que o egocentrismo e o egoísmo, suas crenças ou outra má-vontade, estejam dominando e corrompendo sua alma.

          Ao decidir em desconformidade com a sua vontade, não não está a ser livre, e está a contribuir para que o certo deixe de o ser e de existir e o errado se estabeleça como moda e prevaleça como norma arbitrária, e a prejudicar os seus semelhantes, não pelo silêncio, mas por preguiça mental, cobardia e ausência do uso da razão. Usar a razão, a consciência moral, o entendimento, independentemente do que o corpo deseja, na tomada de decisões é ser-se livre, ação que por norma a sociedade desencoraja de variadíssimas maneiras e penaliza educando as pessoas na subserviência a regras impostas e aos interesses e desejos de terceiros, não vontades, incentivando portanto as pessoas ao não-raciocínio.

          Apesar de ter origem na mente de cada pessoa, o SER LIVRE deve ser direcionado preferencialmente para a defesa do próximo, do coletivo e do bem-comum e por inerência do indivíduo. As decisões de cada um determinam e condicionam a liberdade do próximo, individual e coletivamente. Ninguém, nenhum grupo, mesmo quando em maioria, tem o direito de determinar e condicionar a liberdade das restantes pessoas quando suas decisões violam os direitos humanos ou se opõem à sua vontade, à razão, com a justificação do medo ou do interesse individual egoísta. Nessa situação, o menos aceitável seria a neutralidade de posicionamente, a ausência de decisão, ao invés da decisão orientada pela moral do rebanho.

          Não é livre quem não assume as suas responsabilidades individuais e se deixar guiar pelo rebanho.

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          SER LIVRE significa decidir com ética, segundo o seu livre arbítrio, em obediência à sua própria boa vontade, à sua razão, ao seu entendimento - liberdade de uso da razãopor dever como imperativo categórico (o que deve fazer) e não segundo o dever, e de forma desinteressada, capacidade mental essa que, sendo comum a todos as pessoas e inexistente nos animais, determina e explica, à luz do pensamento moderno, o conceito de igual competência do uso da razão, de igualdade, valor esse estabelecido na Declaração Universal dos Direitos do Homem, datada de 1948.

          NÃO SER LIVRE significa agir em conformidade com seus desejos, muitas vezes com imoralidade, sem ação da razão, em oposição à boa vontade e como ser menor, em negação do humanismo, deixando que o instinto comande a vida de cada um com prejuízo para os seus semelhantes, deixando que o desejo instintivo justifique a razão da decisão. O instinto não é libertador; antes pelo contrário, com frequência nos debilita, oprime, escraviza e limita a liberdade, mantendo-nos no interior da caverna, iludidos pelos instintos e subjugados pelos desejos materiais, em oposição à vontade, à razão.

          Caminhar não é o caminho. Nascemos livres e com a liberdade para decidir. Durante a fase da dependência, que normalmente se estende até ao fim  da adolescência, aculturamos valores e desenvolvemos uma estrutura ideológica em sociedade, uma consciência, que nos ajuda a ser livres. Não somos livres quando diligenciamos nos outros a liberdade de decisão, quando acreditamos e fazemos acreditar na falta de liberdade para definir a própria vida, quando afirmarmos não termos tido possibilidade de escolher, quando transferimos para os outros a responsabilidade dos nossos atos.

          Mas, mesmo que pensemos que somos só corpo, materialistas, e assumirmos que apenas decidimos reativamente, instintivamente, em obediência aos condicionalismos impostos pela natureza e pelos outros, que não há portanto liberdade, e que os sentimentos de angústia, de tristeza ou de algeria perante os acontecimentos determinariam uma resposta reativa do corpo na busca da felicidade, do prazer, do bem-estar - da equilibração do ser, poder-se-ía falar mesmo assim de uma liberdade inata, que nos impulsa na tomada também de ações, visando o equilíbrio energético, justificativas não só da reação congruente com as normas impostas mas também da reação de rejeição, de contestação. Tal liberdade inata para decidir, é inerente à própria existência da capacidade de imaginar, de prever nossos sentimentos, de desenvolver uma prévia consciência da causalidade dos nossos sentimentos e de prever nosso estado energético, e determina a capacidade de poder imaginar e escolher os melhores contextos e de tomar as melhores decisões visando a equilibração do ser.

          Quando justificamos com o argumento de que "nada podemos fazer, que é inevitável" estamos a assumir que a inércia é natural, inata à espécie humana, e a permitir formas de violência,  violência institucionalizadaviolência simbólica, resultante do medo imposto, em desrespeito pela dignidade humana, com agravamento das desigualdades entre os homens. Além disso, a quebra da solidariedade, do tipo orgância, em oposição a uma consciência coletiva no quadro dos direitos humanos ocidentais, traduz o não reconhecimento do próximo como indivíduo e representa uma manifestação de desrespeito, uma quebra do compromisso com os outros. Apesar da Verdade ter apóstolos, ainda tem muitos "Tomés" e demasiados "Judas".

          Se ao ser humano é possível, em grau variável, o controlo pela mente, pela razão, do desejo, da alegria, da tristeza, então seria também de esperar o controlo do medo, enquanto emoção e sentimento manifestado primeiramente como ansiedade. Basta querer, ter vontade para não alimentar o medo que, à semelhança das drogas, nos violenta e condiciona. Somos responsáveis pelas nossas paixões, pelos nossos desejos e pela nossa vontade, pois todos eles estão subordinados à razão, mãe da liberdade de ser, sensação que causa angústia associada ao ato de escolher e à responsabilização pelas suas consequências, individuais e coletivas. Deixar para os outros a decisão, com a justificação de que não sei, não estou a par - má fé, ou que não tenho jeito para isso - cobardia, ou decidir contra o que considera justo ou apoiar o que não defende, traduzem atos de negação do SER LIVRE.

           Apesar do relativismo de todas as correntes filosóficas, por ausência da confirmação da  verdacidade de cada teoria, constituindo cada uma meras probabilidades, hipóteses, a necessidade científica, e também filosófica, determina o caminhar na busca da verdade e do conhecimento, a busca de explicações e a tomada de escolhas, subordinada à razão, em conformidade com a consciência que desenvolvemos do ser, assumindo a liberdade a definição de pensar e fazer o que se deve, ao invés de desejar e fazer o que se pode. 

 

          O TER LIBERDADE, de natureza exógena, é concedido a cada pessoa, pelo próximo ou pela comunidade ou pela sociedade, e traduz-se nas chamadas liberdade de circulação, liberdade de ação e liberdade de expressão, subordinadas à liberdade de ser, ao SER LIVRE. Não tem liberdade, podendo ser livre, quem está proibido de circular ou de agir ou de se expressar.

 

          Atuamente, face à normatização social e às dificuldades, especialmente de natureza financeira, sentidas por muitos portugueses, o medo de não ter ou o medo de perder tem oprimido a mente de muitos ao ponto perderem a voz (passaram a não ter opinião por conveniência) ou a decidirem o futuro do próximo com base nos seus medos. Nos tempos atuais assisto à tomada de decisões e ao assumir de comportamentos que traduzem uma diminuição da liberdade das pessoas ao ponto, por vezes, de anularem sua identidade, como se houvesse uma natureza humana propriedade de alguém, que não do próprio, como se de um objeto se tratasse, e não um condição humana com identidade desenvolvida em liberdade pelo uso da razão numa sociedade moderna que hipocritamente se assume como humanista.

 

          São exemplos de situações na nossa sociedade de perda de liberdade:

  1. – O decidir de condições de vida ou de trabalho mais gravosas (desrespeito) sem um processo anterior de diálogo, de informação e de justificação - Ação que conduz à perda de liberdade de ser.
  2. – O impor tais condições (opressão), em oposição às opiniões expressas, apenas para beneficiar alguns - Ação que conduz à perda de liberdade de ter.
  3. - O semear o medo (terrorismo), desenhando maus cenários como inevitáveis - Ação que conduz à perda de liberdade de ser.
  4. – O favorecer “uns” em detrimentos de outros mais competentes (prevaricação) - Ação que conduz à perda de liberdade de ser e de ter.
  5. – O semear o desentendimento, a desconfiança e a divisão entre as pessoas como forma de minimizar eventuais resistências ou anular/isolar pessoas - Ação que conduz à perda de liberdade de ser.
  6. – O decidir condicionado por medos (neurose do medo) em discordância com os valores e princípios em teoria defendidos - Ação que conduz à perda de liberdade de ser.
  7. – A falta de ação cívica e a falta de manifestação de solidariedade (traição) - Ação que conduz à perda de liberdade de ter dos outros.

          Quando nos limitamos a obedecer ou quando aceitamos passivamente a subjugação estamos a tirar sentido à nossa existência enquanto seres livres, a assumir a nossa menoridade, e a reconhecer, comparativa e conscientemente, a natureza "divina" ou superior em direitos daqueles a quem servimos.

 

         Se admitirmos que a essência do homem reside na busca do conhecimento e da verdade e que a mesma só se poderá atingir com plenitude vivendo em e incluido numa sociedade, a liberdade passa a ser um atributo e o seu uso, intencional e dirigido para o serviço ao próximo, uma condição ao progresso e ao desenvolvimento do ser humano. À semelhança da matéria, também o ser se forma do ser, pois ambos têm a mesma natureza, pelo uso da razão.

          DAR SENTIDO À VIDA, SUA E À DOS OUTROS, É A ESSÊNCIA DA INDEPENDÊNCIA DA RAZÃO QUE NOS CONFERE A LIBERDADE NECESSÁRIA À BUSCA DA VERDADE.

 

          Apesar do entendimento descrito defendido ao longo da história por várias correntes filosóficas, da independência e autonomia da razão sobre os desejos e emoções, ser, numa primeira análise, negado pelas recentes descobertas, deduções, trazidas atualmente pela física quântica, que indiciam que toda a decisão humana, mesmo a resultante do uso da razão, têm origem inconsciente, significando portanto que as nossas decisões inconscientes precedem a tomada consciente do raciocínio realizado e da decisão, também defendem que as mesmas decisões insconscientes são o resultado de toda um processamento e armazenamento anterior de informação percecionada durante as experiências de vida, podendo, portanto, concluir-se que, apesar de iludidos pela sensação de autonomia da razão consciente, o homem decide em função dos valores inculcados e do significado e valorização atribuída às experiências e memórias do passado (informação gravada em seu inconsciente), tendo, no entanto, a liberdade de poder escolher a educação que orientará a tomada de suas decisões. Nosso inconsciente informa nossa consciência das decisões tomadas de acordo com o nosso antecedente, apesar de também poder confrontar-nos com com outras possibilidades.

          Ser Livre, à luz da física quântica, significa inculcar e hierarquizar/ponderar valores e atribuir significado às experiências de vida (efeito da nossa vivência), de modo a fornecer as informações significativas que o nosso "programa mental", de natureza quântica, usará na tomada de decisões.

           Na perspetiva clássica, a decisão consciente precedia e determinava o comportamento, a educação (meio => consciente => inconsciente). Atualmente, a nova visão contemporânea postula que:

1 - através dos nossos sentidos, armazenamos informação em nosso inconsciente, que vão constituir a base da nossa educação - (meio => inconsciente);

2 - perante a chegada de informação do meio ao inconsciente, via órgãos dos sentidos, as decisões possíveis são geradas no inconsciente, de acordo com a nossa educação, e apresentadas posterior ao consciente. A educação precede a tomada de uma decisão consciente; é o inconsciente que apresenta a decisão a tomar - (meio => inconsciente => consciente);

3 - a não reflexão crítica consciente da decisão apresentada por norma determina o assumir dessa decisão, mantendo a educação pré-existente - (meio => inconsciente => consciente);

4 - uma decisão tomada após uma reflexão crítica da decisão apresentada, que envolve a análise de outras possibilidades de decisão, por norma determina uma evolução na educação de uma pessoa. Através da reflexão (pensamento consciente) podemos induzir mudanças na perceção pelo inconsciente, na educação (meio => inconsciente => consciente => inconsciente).

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          Temos consciência do que somos e da nossa capacidade de corrigir processos educativos e formativos. Daí a importância da boa companhia e da boa integração social. Depois de formatados, a inversão de valores torna-se extremamente dificil e só é quando possível pela ajuda em ambiente favorável. Daí a importância da educação como processo primeiro, como meio, na formação do homem social e na dignificação humana via comportamentos e decisões.

          SOMOS HOJE O QUE FIZEMOS, O QUE NOS HABITUAMOS A SER, apesar de conscientemente livres para mudar. 

 

          A consciência que tenho do uso da liberdade na sociedade em que vivemos, inserida numa sociedade capitalista de tendência neoliberal, que sobrepõe o interesse financeiro ao empresarial, ao coletivo e mesmo ao individual, desumanizando as sociedade, faz-me acreditar da necessidade da educação para a liberdade que reoriente a ação humana no sentido do próximo e do coletivo, ao invés do individual, e torne cada membro da sociedade mais preocupado com os outros do que consigo próprio, como processo conducente a uma nova ordem social. Só assim cada pessoa conseguirá decidir livre de condicionamentos gerados pelo medo ou pelo egoísmo na defesa do Ego e agir de boa vontade por dever para consigo e para com a sociedade. 

         

          Se cada um de nós se preocupar primeiramente consigo, abrimos as “portas” do nosso ser aos "demónios" que nos dominam e comandam, determinando a competição, o desentendimento, a desconfiança, o ódio, a soberba e a ganância em nossas almas e o agravamento das diferenças que observamos e vivenciamos: maus e bons, inimigos e amigos, pobreza e riqueza, corrupção e honestidade, humildade e soberba.

          Se cada um de nós se concentrar primeiramente em melhorar a vida dos seus semelhantes a consequência lógica e óbvia é que também cada um deles contribuirá para melhorar a nossa, pois esse é também a preocupação dos outros, e todos viveremos melhor, mais felizes e mais realizados.

 

          Creio que a evolução negativa a que assistimos, com todos os problemas que vivenciamos na nossa democracia, na nossa comunidade e nas nossas famílias são, em grande parte, consequência da permitida PERDA DE LIBERDADE por parte de cada indivíduo resultantes da ganância, do desejo instintivo insasiável  pelo prazer, do individualismo e da competição empobrecida de ética  que fomentamos, visando preferencialmente o sucesso individual, como projeto de vida, e, para alguns, também geradora de felicidade. Pura ILUSÃO.

 

          Como, infelizmente o adágio popular "Burro velho não aprende" se tem revelado verdadeiro, julgo que é tempo de repensar os modelos educativos, reorientar a conduta humana e repensar sua dinâmica social, de momento demasiado centralizada nos interesses de meia dúzia,  promovondo nas escolas a educação dos mais novos, ainda não subjugados pela ambição pelo dinheiro e pelo poder sobre os outros, educando-os para o aprender a SER LIVRE, a refletir, a analisar os diferentes entendimentos de que tomamos consciência, a direcionar a ambição de cada pessoa no sentido do bem coletivo, do sujeito coletivo.

         Como os modelos educativos do passado e do presente constituem um obstáculo à manifestação da liberdade pelo homem dado terem como preocupação primeira a instrução, a competição e a formatação do aluno como processo de integração visando a aceitação da organização, da dinâmica e do controlo social,  necessária à satisfação de interesses individuais, principalmente de natureza financeira, mas também de outra, creio que é chegado o tempo repensar o modelo educativo pedagógico promovendo a  EDUCAÇÃO PARA A LIBERDADE como condição determinante.

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         Promover a competição e o conflito social para manter a paz ou a liderança, quando não justificada pela defesa de valores superiores e por consenso universal, constitui uma estratégia de subordinação e controlo das mentes humanas que imprime uma educação mas não a gera.

          Viver em sociedade não é sinónimo de viver para e em conflito social.

          Alimentar o conflito social só traz desconfiança, inquietação, medo, divisão, egoísmo, instabilidade e desigualdade sociais. 

          Educar-se para o conflito social, como solução para a sua realização pessoal, pressupõe a negação da igualdade de género.

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publicado às 21:49


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