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Ter Liberdade; Ser Livre

 

        Nos tempos que correm, verifico que muitas pessoas julgam e defendem VIVER EM LIBERDADE só porque lhes é concedido uma área de circulação e de intervenção, embora muitas vezes condicionada, ou porque apenas têm liberdade de expressão ou porque apenas têm liberdade de decisão.

 

            Muitas pessoas, à semelhança dos animais selvagens, têm a liberdade de circular e de intervir, sem grandes restrições, mas têm o poder de decisão bastante condicionado ao fazerem suas escolhas de modo reativo face a desejos corporais e mentais, a “fantasmas” e medos criados em suas mentes - têm liberdade, mas não são livres. Outros, à semelhança dos animais domésticos criados em “cativeiro”, têm o espaço de circulação e de intervenção mais limitado e também não detêm o poder da decisão - não têm liberdade nem são livres.  Um terceiro grupo de pessoas, têm a liberdade para decidir mas não lhes é facultada circulação, ação ou expressão - são livres mas não têm liberdade.

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          Em qualquer das três situações não se pode dizer que tais pessoas vivam em liberdade pois VIVER EM LIBERDADE implica SER LIVRE e TER LIBERDADE.

 

          A LIBERDADE tem dupla natureza: uma endógena, com origem na mente de cada pessoa, e uma exógena, que é atribuída a que um pelos seus semelhantes. 

 

          O SER LIVRE resulta de um processo endógeno ao ser humano que se traduz na escolha por cada indivíduo de soluções de defesa do bem comum e de direitos consensualmente defendidos, na tomada de decisões baseadas nos valores e princípios culturalmente assimilados e transmitidos pela nossa sociedade como imprescindíveis ao normal funcionamento da sociedade e à defesa dos direitos humanos, livre da subordinação a desejos, ou a medos resultantes da sobrevalorização de memórias negativas ou da imaginação de consequências não desejadas, em anulação da sua vontade e em oposição ao que se acha certo, à independência da razão sobre as emoções. Todo aquele que decide condicionado por interesses individuais, desejos ou medos não é livre, pois apenas está a reagir a memórias, ao desconforto que tal medo gera no organismo ou ao conforto associado à satisfação de interesses egoístas, a “avisos de alarme” oriundos do seu subconsciente, não detendo a capacidade de controlo da vontade mental sobre os desejos e impulsos apesar de discernir o certo do errado, o bem do mal. Reage instintivamente ou mentalmente de forma primitiva, mas não racionalmente, em desobediência à sua vontade, estabelecendo associações do tipo causa/efeito (desejos ou recordações más/prejuízo), a não ser que o egocentrismo e o egoísmo, suas crenças ou outra má-vontade, estejam dominando e corrompendo sua alma.

          Ao decidir em desconformidade com a sua vontade, não não está a ser livre, e está a contribuir para que o certo deixe de o ser e de existir e o errado se estabeleça como moda e prevaleça como norma arbitrária, e a prejudicar os seus semelhantes, não pelo silêncio, mas por preguiça mental, cobardia e ausência do uso da razão. Usar a razão, a consciência moral, o entendimento, independentemente do que o corpo deseja, na tomada de decisões é ser-se livre, ação que por norma a sociedade desencoraja de variadíssimas maneiras e penaliza educando as pessoas na subserviência a regras impostas e aos interesses e desejos de terceiros, não vontades, incentivando portanto as pessoas ao não-raciocínio.

          Apesar de ter origem na mente de cada pessoa, o SER LIVRE deve ser direcionado preferencialmente para a defesa do próximo, do coletivo e do bem-comum e por inerência do indivíduo. As decisões de cada um determinam e condicionam a liberdade do próximo, individual e coletivamente. Ninguém, nenhum grupo, mesmo quando em maioria, tem o direito de determinar e condicionar a liberdade das restantes pessoas quando suas decisões violam os direitos humanos ou se opõem à sua vontade, à razão, com a justificação do medo ou do interesse individual egoísta. Nessa situação, o menos aceitável seria a neutralidade de posicionamente, a ausência de decisão, ao invés da decisão orientada pela moral do rebanho.

          Não é livre quem não assume as suas responsabilidades individuais e se deixar guiar pelo rebanho.

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          SER LIVRE significa decidir com ética, segundo o seu livre arbítrio, em obediência à sua própria boa vontade, à sua razão, ao seu entendimento - liberdade de uso da razãopor dever como imperativo categórico (o que deve fazer) e não segundo o dever, e de forma desinteressada, capacidade mental essa que, sendo comum a todos as pessoas e inexistente nos animais, determina e explica, à luz do pensamento moderno, o conceito de igual competência do uso da razão, de igualdade, valor esse estabelecido na Declaração Universal dos Direitos do Homem, datada de 1948.

          NÃO SER LIVRE significa agir em conformidade com seus desejos, muitas vezes com imoralidade, sem ação da razão, em oposição à boa vontade e como ser menor, em negação do humanismo, deixando que o instinto comande a vida de cada um com prejuízo para os seus semelhantes, deixando que o desejo instintivo justifique a razão da decisão. O instinto não é libertador; antes pelo contrário, com frequência nos debilita, oprime, escraviza e limita a liberdade, mantendo-nos no interior da caverna, iludidos pelos instintos e subjugados pelos desejos materiais, em oposição à vontade, à razão.

          Caminhar não é o caminho. Nascemos livres e com a liberdade para decidir. Durante a fase da dependência, que normalmente se estende até ao fim  da adolescência, aculturamos valores e desenvolvemos uma estrutura ideológica em sociedade, uma consciência, que nos ajuda a ser livres. Não somos livres quando diligenciamos nos outros a liberdade de decisão, quando acreditamos e fazemos acreditar na falta de liberdade para definir a própria vida, quando afirmarmos não termos tido possibilidade de escolher, quando transferimos para os outros a responsabilidade dos nossos atos.

          Mas, mesmo que pensemos que somos só corpo, materialistas, e assumirmos que apenas decidimos reativamente, instintivamente, em obediência aos condicionalismos impostos pela natureza e pelos outros, que não há portanto liberdade, e que os sentimentos de angústia, de tristeza ou de algeria perante os acontecimentos determinariam uma resposta reativa do corpo na busca da felicidade, do prazer, do bem-estar - da equilibração do ser, poder-se-ía falar mesmo assim de uma liberdade inata, que nos impulsa na tomada também de ações, visando o equilíbrio energético, justificativas não só da reação congruente com as normas impostas mas também da reação de rejeição, de contestação. Tal liberdade inata para decidir, é inerente à própria existência da capacidade de imaginar, de prever nossos sentimentos, de desenvolver uma prévia consciência da causalidade dos nossos sentimentos e de prever nosso estado energético, e determina a capacidade de poder imaginar e escolher os melhores contextos e de tomar as melhores decisões visando a equilibração do ser.

          Quando justificamos com o argumento de que "nada podemos fazer, que é inevitável" estamos a assumir que a inércia é natural, inata à espécie humana, e a permitir formas de violência,  violência institucionalizadaviolência simbólica, resultante do medo imposto, em desrespeito pela dignidade humana, com agravamento das desigualdades entre os homens. Além disso, a quebra da solidariedade, do tipo orgância, em oposição a uma consciência coletiva no quadro dos direitos humanos ocidentais, traduz o não reconhecimento do próximo como indivíduo e representa uma manifestação de desrespeito, uma quebra do compromisso com os outros. Apesar da Verdade ter apóstolos, ainda tem muitos "Tomés" e demasiados "Judas".

          Se ao ser humano é possível, em grau variável, o controlo pela mente, pela razão, do desejo, da alegria, da tristeza, então seria também de esperar o controlo do medo, enquanto emoção e sentimento manifestado primeiramente como ansiedade. Basta querer, ter vontade para não alimentar o medo que, à semelhança das drogas, nos violenta e condiciona. Somos responsáveis pelas nossas paixões, pelos nossos desejos e pela nossa vontade, pois todos eles estão subordinados à razão, mãe da liberdade de ser, sensação que causa angústia associada ao ato de escolher e à responsabilização pelas suas consequências, individuais e coletivas. Deixar para os outros a decisão, com a justificação de que não sei, não estou a par - má fé, ou que não tenho jeito para isso - cobardia, ou decidir contra o que considera justo ou apoiar o que não defende, traduzem atos de negação do SER LIVRE.

           Apesar do relativismo de todas as correntes filosóficas, por ausência da confirmação da  verdacidade de cada teoria, constituindo cada uma meras probabilidades, hipóteses, a necessidade científica, e também filosófica, determina o caminhar na busca da verdade e do conhecimento, a busca de explicações e a tomada de escolhas, subordinada à razão, em conformidade com a consciência que desenvolvemos do ser, assumindo a liberdade a definição de pensar e fazer o que se deve, ao invés de desejar e fazer o que se pode. 

 

          O TER LIBERDADE, de natureza exógena, é concedido a cada pessoa, pelo próximo ou pela comunidade ou pela sociedade, e traduz-se nas chamadas liberdade de circulação, liberdade de ação e liberdade de expressão, subordinadas à liberdade de ser, ao SER LIVRE. Não tem liberdade, podendo ser livre, quem está proibido de circular ou de agir ou de se expressar.

 

          Atuamente, face à normatização social e às dificuldades, especialmente de natureza financeira, sentidas por muitos portugueses, o medo de não ter ou o medo de perder tem oprimido a mente de muitos ao ponto perderem a voz (passaram a não ter opinião por conveniência) ou a decidirem o futuro do próximo com base nos seus medos. Nos tempos atuais assisto à tomada de decisões e ao assumir de comportamentos que traduzem uma diminuição da liberdade das pessoas ao ponto, por vezes, de anularem sua identidade, como se houvesse uma natureza humana propriedade de alguém, que não do próprio, como se de um objeto se tratasse, e não um condição humana com identidade desenvolvida em liberdade pelo uso da razão numa sociedade moderna que hipocritamente se assume como humanista.

 

          São exemplos de situações na nossa sociedade de perda de liberdade:

  1. – O decidir de condições de vida ou de trabalho mais gravosas (desrespeito) sem um processo anterior de diálogo, de informação e de justificação - Ação que conduz à perda de liberdade de ser.
  2. – O impor tais condições (opressão), em oposição às opiniões expressas, apenas para beneficiar alguns - Ação que conduz à perda de liberdade de ter.
  3. - O semear o medo (terrorismo), desenhando maus cenários como inevitáveis - Ação que conduz à perda de liberdade de ser.
  4. – O favorecer “uns” em detrimentos de outros mais competentes (prevaricação) - Ação que conduz à perda de liberdade de ser e de ter.
  5. – O semear o desentendimento, a desconfiança e a divisão entre as pessoas como forma de minimizar eventuais resistências ou anular/isolar pessoas - Ação que conduz à perda de liberdade de ser.
  6. – O decidir condicionado por medos (neurose do medo) em discordância com os valores e princípios em teoria defendidos - Ação que conduz à perda de liberdade de ser.
  7. – A falta de ação cívica e a falta de manifestação de solidariedade (traição) - Ação que conduz à perda de liberdade de ter dos outros.

          Quando nos limitamos a obedecer ou quando aceitamos passivamente a subjugação estamos a tirar sentido à nossa existência enquanto seres livres, a assumir a nossa menoridade, e a reconhecer, comparativa e conscientemente, a natureza "divina" ou superior em direitos daqueles a quem servimos.

 

         Se admitirmos que a essência do homem reside na busca do conhecimento e da verdade e que a mesma só se poderá atingir com plenitude vivendo em e incluido numa sociedade, a liberdade passa a ser um atributo e o seu uso, intencional e dirigido para o serviço ao próximo, uma condição ao progresso e ao desenvolvimento do ser humano. À semelhança da matéria, também o ser se forma do ser, pois ambos têm a mesma natureza, pelo uso da razão.

          DAR SENTIDO À VIDA, SUA E À DOS OUTROS, É A ESSÊNCIA DA INDEPENDÊNCIA DA RAZÃO QUE NOS CONFERE A LIBERDADE NECESSÁRIA À BUSCA DA VERDADE.

 

          Apesar do entendimento descrito defendido ao longo da história por várias correntes filosóficas, da independência e autonomia da razão sobre os desejos e emoções, ser, numa primeira análise, negado pelas recentes descobertas, deduções, trazidas atualmente pela física quântica, que indiciam que toda a decisão humana, mesmo a resultante do uso da razão, têm origem inconsciente, significando portanto que as nossas decisões inconscientes precedem a tomada consciente do raciocínio realizado e da decisão, também defendem que as mesmas decisões insconscientes são o resultado de toda um processamento e armazenamento anterior de informação percecionada durante as experiências de vida, podendo, portanto, concluir-se que, apesar de iludidos pela sensação de autonomia da razão consciente, o homem decide em função dos valores inculcados e do significado e valorização atribuída às experiências e memórias do passado (informação gravada em seu inconsciente), tendo, no entanto, a liberdade de poder escolher a educação que orientará a tomada de suas decisões. Nosso inconsciente informa nossa consciência das decisões tomadas de acordo com o nosso antecedente, apesar de também poder confrontar-nos com com outras possibilidades.

          Ser Livre, à luz da física quântica, significa inculcar e hierarquizar/ponderar valores e atribuir significado às experiências de vida (efeito da nossa vivência), de modo a fornecer as informações significativas que o nosso "programa mental", de natureza quântica, usará na tomada de decisões.

           Na perspetiva clássica, a decisão consciente precedia e determinava o comportamento, a educação (meio => consciente => inconsciente). Atualmente, a nova visão contemporânea postula que:

1 - através dos nossos sentidos, armazenamos informação em nosso inconsciente, que vão constituir a base da nossa educação - (meio => inconsciente);

2 - perante a chegada de informação do meio ao inconsciente, via órgãos dos sentidos, as decisões possíveis são geradas no inconsciente, de acordo com a nossa educação, e apresentadas posterior ao consciente. A educação precede a tomada de uma decisão consciente; é o inconsciente que apresenta a decisão a tomar - (meio => inconsciente => consciente);

3 - a não reflexão crítica consciente da decisão apresentada por norma determina o assumir dessa decisão, mantendo a educação pré-existente - (meio => inconsciente => consciente);

4 - uma decisão tomada após uma reflexão crítica da decisão apresentada, que envolve a análise de outras possibilidades de decisão, por norma determina uma evolução na educação de uma pessoa. Através da reflexão (pensamento consciente) podemos induzir mudanças na perceção pelo inconsciente, na educação (meio => inconsciente => consciente => inconsciente).

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          Temos consciência do que somos e da nossa capacidade de corrigir processos educativos e formativos. Daí a importância da boa companhia e da boa integração social. Depois de formatados, a inversão de valores torna-se extremamente dificil e só é quando possível pela ajuda em ambiente favorável. Daí a importância da educação como processo primeiro, como meio, na formação do homem social e na dignificação humana via comportamentos e decisões.

          SOMOS HOJE O QUE FIZEMOS, O QUE NOS HABITUAMOS A SER, apesar de conscientemente livres para mudar. 

 

          A consciência que tenho do uso da liberdade na sociedade em que vivemos, inserida numa sociedade capitalista de tendência neoliberal, que sobrepõe o interesse financeiro ao empresarial, ao coletivo e mesmo ao individual, desumanizando as sociedade, faz-me acreditar da necessidade da educação para a liberdade que reoriente a ação humana no sentido do próximo e do coletivo, ao invés do individual, e torne cada membro da sociedade mais preocupado com os outros do que consigo próprio, como processo conducente a uma nova ordem social. Só assim cada pessoa conseguirá decidir livre de condicionamentos gerados pelo medo ou pelo egoísmo na defesa do Ego e agir de boa vontade por dever para consigo e para com a sociedade. 

         

          Se cada um de nós se preocupar primeiramente consigo, abrimos as “portas” do nosso ser aos "demónios" que nos dominam e comandam, determinando a competição, o desentendimento, a desconfiança, o ódio, a soberba e a ganância em nossas almas e o agravamento das diferenças que observamos e vivenciamos: maus e bons, inimigos e amigos, pobreza e riqueza, corrupção e honestidade, humildade e soberba.

          Se cada um de nós se concentrar primeiramente em melhorar a vida dos seus semelhantes a consequência lógica e óbvia é que também cada um deles contribuirá para melhorar a nossa, pois esse é também a preocupação dos outros, e todos viveremos melhor, mais felizes e mais realizados.

 

          Creio que a evolução negativa a que assistimos, com todos os problemas que vivenciamos na nossa democracia, na nossa comunidade e nas nossas famílias são, em grande parte, consequência da permitida PERDA DE LIBERDADE por parte de cada indivíduo resultantes da ganância, do desejo instintivo insasiável  pelo prazer, do individualismo e da competição empobrecida de ética  que fomentamos, visando preferencialmente o sucesso individual, como projeto de vida, e, para alguns, também geradora de felicidade. Pura ILUSÃO.

 

          Como, infelizmente o adágio popular "Burro velho não aprende" se tem revelado verdadeiro, julgo que é tempo de repensar os modelos educativos, reorientar a conduta humana e repensar sua dinâmica social, de momento demasiado centralizada nos interesses de meia dúzia,  promovondo nas escolas a educação dos mais novos, ainda não subjugados pela ambição pelo dinheiro e pelo poder sobre os outros, educando-os para o aprender a SER LIVRE, a refletir, a analisar os diferentes entendimentos de que tomamos consciência, a direcionar a ambição de cada pessoa no sentido do bem coletivo, do sujeito coletivo.

         Como os modelos educativos do passado e do presente constituem um obstáculo à manifestação da liberdade pelo homem dado terem como preocupação primeira a instrução, a competição e a formatação do aluno como processo de integração visando a aceitação da organização, da dinâmica e do controlo social,  necessária à satisfação de interesses individuais, principalmente de natureza financeira, mas também de outra, creio que é chegado o tempo repensar o modelo educativo pedagógico promovendo a  EDUCAÇÃO PARA A LIBERDADE como condição determinante.

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         Promover a competição e o conflito social para manter a paz ou a liderança, quando não justificada pela defesa de valores superiores e por consenso universal, constitui uma estratégia de subordinação e controlo das mentes humanas que imprime uma educação mas não a gera.

          Viver em sociedade não é sinónimo de viver para e em conflito social.

          Alimentar o conflito social só traz desconfiança, inquietação, medo, divisão, egoísmo, instabilidade e desigualdade sociais. 

          Educar-se para o conflito social, como solução para a sua realização pessoal, pressupõe a negação da igualdade de género.

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publicado às 21:49

No contexto atual, por razões diversas, muito se tem fala de educação, das escolas, da função e qualidade dos professor, dos alunos, do papel dos encarregados de educação, sempre numa ótica do "deita abaixo" por parte daqueles que não têm um papel ativo, com base em definições e teorias estranhas, parecendo haver o propósito de desvalorizar o papel dos professores, de lhes aumentar o rol de responsabilidades, numa tentativa de os responsabilizar pela incompetência de outros.

 

A educação resulta da necessidade da sociedade de preparar os seus cidadãos. É um processo dinâmico, uma ação sobre as pessoas, que visa transformar cada sujeito, capacitando-o para interagir com o seu meio e a integração social. Tem por objetivo a sua preparação para a vida, para desenvolver-se, integrar-se e contribuir para o desenvolvimento da sociedade de que faz parte, significando portanto muito mais do que o acumular de habilidades e capacidades intelectuais, de conhecimentos científicos, técnicos e de cultura geral, ou a aquisição de capacidades manuais mas, sobretudo, o torná-lo capaz de adotar uma atitude correta diante da vida, com as melhores convicções humanas, com altos valores éticos, morais e as melhores intenções.

 

Com a educação pretende-se o desenvolvimento que capacite os sujeitos (alunos) para uma integração social sem medos caraterizada pela diversidade, pela participação consciente e pelo sentido de pertença, ao invés da homogeneização em referência a uma dada modelo comportamental, do controle de uns sobre os outros e da alienação.

 

A educação inicia-se com a FAMÍLIA - socialização primária - e dela espera-se que os alunos aprendam aptidões tão fundamentais como falar, lavar-se, vestir-se, a conviver com pessoas de diferen­tes idades, a partilhar alimentos e outros dons com quem a rodeia, a participar em jogos coletivos respeitando as regras, a distinguir a nível primário o que está bem do que está mal segundo os valores da comunidade a que pertence … É claro que, para que a educação comece na família, tem que haver família e não pode haver défices parentais.

 

Com a EDUCAÇÃO ESCOLAR - socialização secundária – inicia-se um processo de instrução sistemático, organizado, não espontâneo, fundamentado numa conceção pedagógica geral, sobre uma base didática e desenvolvida por pessoas especializadas, pelos professores.

 

Ao admitir-se o caráter holístico da educação, como um todo resultante das inter-relações entre as várias áreas de formação e de desenvolvimento, no contexto da educação escolar, as funções do professor de ensinar e de educar surgem interligadas, indissociáveis, sendo portanto mais adequado definir o professor como o sujeito que desenvolve um processo de ensino-educação, que integra o processo de ensino-aprendizagem, visando o desenvolvimento do pensamento, bem como o de educar, mais relacionado com o desenvolvimento de sentimentos, funções essas exercidas coletivamente em obediência a uma articulação horizontal entre as várias disciplinas, e vertical, entre os diferentes níveis de escolaridade.,

 

Ensinar não é o mesmo que educar. Embora não exista uma boa educação sem instrução, as qualidades morais e éticas são potenciadas e realçadas pelas qualidades associadas ao desenvolvimento do pensamento adquirido pela instrução. No entanto, uma pessoa instruída não é necessariamente uma pessoa bem-educada.

 

Ser professor é portanto ensinar e educar, para a vida, sendo de importância crucial os seus conhecimentos pedagógicos e didáticos, o seu caráter, os seus valores morais, a sua conduta ética, a sua capacidade de liderança na sala de aula bem como o exemplo operativo que dá aos seus alunos.

 

A tarefa de ensinar e de educar, cabe ao professor e, por inerência, a definição do modelo pedagógico-didático, a planificação, o desenvolvimento e a avaliação do processo são da sua responsabilidade, tendo como finalidade a instrução dos alunos com os conhecimentos e competências que tenham utilidade prática no seu quotidiano, que satisfaçam seus interesses e aprofundem seus sentimentos, num aprofundar das relações afetivas com os conteúdos, como condição importante à motivação, à aprendizagem significativa e à aquisição de capacidades garantam uma cidadania consciente e responsável em obediência a valores superiores.

 

Nos tempos atuais, face ao vazio de ética, ao relativismo moral e aos défices de educação familiar, pede-se também ao professor e à escola que, em simultâneo, dê também continuidade à socialização primária, numa tentativa de minimizar défices, tarefa essa acrescida que muitas vezes acarreta prejuízo ao processo de ensino-aprendizagem, gerando atrasos e aumentando a carga de stress dos professores, prejuízo esse que está potenciado quando se verificam grandes atrasos na aprendizagem de conhecimentos e de competências e a não manifestação de atitudes corretas para o nível de ensino que o aluno frequenta.

 

Para além das dificuldades inerentes às funções normais de ensinar e educar, verifica-se atualmente, para os professores de alguns grupos disciplinares, um acréscimo responsabilidade, de trabalho e de stress profissional, a par de uma diminuição da satisfação, decorrentes do aumento da "pressão" por parte de número crescente de encarregados de educação, da preocupação em se obterem resultados honrosos nas avaliações internas e  externas e da desvalorização do trabalho do professor.

 

Refira-se também que, apesar de a todos os professores serem atribuídas as mesmas funções, a de ensinar e a de educar, e a mesma remuneração mensal base, a professores com igual tempo de serviço, a uns a função de ensinar exige uma maior formação didática,  científica, intelectual, específica, contínua, e trabalho acrescido traduzido na elaboração de recursos didáticos específicos, no desenvolvimento de aulas mais eficientes e eficazes, e na realização da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, como instrumento regulador e certificador, tendo em conta a maior importância que alunos e encarregados de educação atribuem a algumas disciplinas, a imagem do professor perante os resultados das avaliações internas e externas e a pressão para que suas escolas fiquem bem posicionadas nos rankings.

 

Para finalizar, acrescento um outro aspeto que julgo deve merecer também alguma reflexão por parte dos encarregados de educação. Sendo a escola um local onde os professores potenciam o desenvolvimento dos alunos, seus filhos, estabelecendo e mediando relações humanas que promovem o desenvolvimento físico, psíquico e social dos alunos, preparando-os para uma integração social mais consciente e facilitada, seria de esperar que os professores fossem vistos como agentes educativos que, por pouco que pareçam trabalhar, só geram benefícios, ao invés de trabalhadores mecanizados sem sentimentos a quem se pode exigir mais pedagogia, esquecendo sua aptidão vocacional e seu desenvolvimento ético e moral que em muito determinam suas práticas. Refiro pedagogia e não didática. Cada professor só dá o que pode e nunca dará o que não tem. Tal como em todas as profissões, na docência também há os mais e os menos dedicados, os mais e menos capazes, os mais e os menos vocacionados, merecendo todos igual respeito pela diversidade, que é natural, principalmente determinada pela herança genética, e não pela adquirida resultante de diferentes formações académicas e vivências. A discordância ao nível pedagógico não se faz críticando publicamente, o que constitui uma falta de respeito, mas recorrendo à opção de liberdade de escolha. Também grave, é a crítica baseada em informações falsas sem haver a confirmação. Por outro lado, é frequente ouvir-se o discurso solidário para com as direções das escolhas, elogiando-as, esquecendo o papel dos professores no sucesso das mesmas, mais parecendo quererem agradar do que agradecer. Do diretor exige-se uma boa organização da Escola; dos professores, o seu bom funcionamento. Uma Escola de sucesso não é a que tem uma liderança forte mas a que possui uma boa liderança, unificadora em volta do mesmo espírito e visionária, e professores que têm um trabalho, e não um emprego ao qual se acomodaram, que exercem,  focalizando sua ação no aluno, com ética, honestidade, trabalho, empenho, entusiasmo, liberdade e coragem, num esforço de obter a realização pessoal e o reconhecimento profissional; quando funciona como um todo, maior do que a soma das partes. Em termos qualitativos, uma liderança forte pode ser forte, quando representativa e competente, ou fraca quando é demasiado normativa e autoritária.

 

O respeito pelos docentes, expresso em gestos de reconhecimento profissional e de solidariedade na defesa da melhoria das condições de trabalho e de remuneração,  são condições importantes que julgo necessárias à melhoria do nosso sistema educativo e do trabalho dos professores. Defender a Escola é estar do lado dos professores e dos alunos. Os professores não constituem um meio, um recurso, que se "usa e se descarta" mas, tal como os alunos, integram o produto inacabado, sofrendo também transformações positivas, merecendo também maior respeito e maior reconhecimento social face ao trabalho que têm ainda para realizar e aos resultados já conseguidos com os filhos dos outros.

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publicado às 21:47

Sabia que o tempo de recreio é de extrema importância para o desenvolvimento saudável do seu filho?

 

O recreio é, por excelência, um espaço de encontro com o outro onde a criança exercita diversas competências sociais. Ao brincar, a criança partilha, coopera, comunica, adapta-se, escolhe, decide... Isto significa que aprende a estar com o outro e constrói-se como ser social. Por exemplo, consideremos o jogo da “apanhada”: requer cooperação, exige que a criança adote novos papéis e funções e que, em muitos momentos, ceda em função das escolhas do grupo. Portanto, é-lhe exigido que considere diferentes perspetivas e possibilidades.

 

O que dizem os estudos

 

A ideia de que as competências sociais aprendidas no “tempo livre” preparam a criança para a vida adulta remontam ao início do século passado e têm vindo a ser, cada vez mais, sustentadas cientificamente. Estudos sugerem que as pausas para recreio favorecem não só a capacidade de aprendizagem dos conteúdos escolares, mas também o desenvolvimento físico-motor e social.

 

Direito ao tempo de recreio

 

Verifica-se que as crianças têm cada vez menos pausas na escola e que essas são mais curtas. Contudo, nem sempre essa redução do tempo livre se traduz, efetivamente, em melhor rendimento académico. No nosso contexto, é absolutamente necessário assegurar que, ainda que haja aumento da carga horária, o direito a brincar e ao tempo de recreio se mantém intacto.

 

Os benefícios do recreio

 

O tempo passado em jogo livre é essencial para o bem-estar da criança, a vários níveis:

(1) - Jogos de movimento - Neste tipo de jogos a criança exercita a força muscular, o equilíbrio, a resistência, a flexibilidade e a coordenação.  

(2) - Rendimento académico - Está provado que o tempo de recreio favorece a função cognitiva, com aumento do tempo de atenção e participação na aula e uma melhoria geral do comportamento.  

(3) - Ponto de vista social e emocional - O recreio é fundamental para estabelecer relações com os colegas, construir e desenvolver amizades, aprender a gerir conflitos e tensões interpessoais e a tornar-se resiliente.

 

Artigo publicado no site da CUF - Descobertas - Hospital por Cláudia Rocha Silva em 4 de Junho 2014.

 

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publicado às 21:46

Em FRANÇA, a nova reforma dos ritmos escolares, que faz parte do programa de Hollande, e que prevê uma alteração no tempo de ensino para as escolas primárias públicas. A semana escolar, que até aqui tinha quatro dias (os alunos não tinham aulas à quarta-feira), vai ter 4 dias e meio. Por detrás desta alteração está a ideia de que se adequa mais aos ritmos biológicos das crianças, uma vez que o dia escolar passa a ter menos horas, facilitando assim a concentração dos alunos. Esta reforma introduz também três horas de oficinas de atividades extra-curriculares depois das aulas.

 

E em PORTUGAL? Que alterações poderiam ser introduzidas nas escolas para adequar o ritmo dos estudos ao ritmo das crianças? Que mudanças mais abrangentes teriam de ser feitas a nível social? E as famílias? Que podem elas fazer para garantir que os seus filhos descansam e fazem outras aprendizagens (e brincam), mesmo quando os pais chegam a casa tarde e cansados?

 

Um sono saudável

Segundo dois psicólogos especialistas em educação:

 

(1) “Perder uma hora de sono equivale a perder dois anos de maturação e desenvolvimento cognitivo“. A conclusão foi feita por Avi Sadeh, psicólogo clínico israelita especialista em crianças e famílias, que tem estudado os efeitos da falta de sono nos mais novos. Sadeh conduziu um estudo que envolveu crianças do 4º e do 6º ano, sendo que estas últimas dormiram menos uma hora de sono durante três noites. No final do estudo, os alunos do 6º ano que dormiram menos apresentaram um desempenho escolar equivalente aos alunos do 4º ano.

 

(2) A maior parte dos pais que consultam a psicóloga Cristina Valente não consegue estabelecer “um padrão de sono regular” para os seus filhos, diz a psicóloga, que a propósito deste tema citou o estudo de Avi Sadeh. José Morgado, professor no departamento de psicologia da educação no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), diz que muitas crianças apresentam “um défice significativo de horas de sono saudável” e que por vezes esse défice pode traduzir-se em comportamentos de excitação e de instabilidade.

 

(3) “Se for com sono enquanto estou a conduzir, o que faço para tentar manter-me acordado? Canto, por exemplo… Os miúdos fazem o mesmo para tentar manter-se acordados: agitam-se”, explica José Morgado. Mas em alguns casos confunde-se isto com perturbações como a hiperatividade ou o défice de atenção, podendo haver um “sobrediagnóstico” destas situações quando, na verdade, as crianças “andam mal dormidas”, diz o professor do ISPA.

 

Fonte: http://observador.pt/

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publicado às 21:45

         

Entre colegas é diverso o entendimento que é feito da expressão: "avaliação contínua dos alunos".

 

O termo contínua tem gerado diferentes interpretações.

(1) Uns defendem que a avaliação é contínua, em qualquer momento do ano letivo, quando é expressa pela média de todos as avaliações obtidas pelos alunos. Há-os também que defendem que a cada avaliação (testes, ...) deve ser atribuído um dado peso específico, em função da importância da unidade avaliada no programa de ciclo, e só depois calculada a média ponderada de todas as classificações realizadas pelos alunos desde o início do ano letivo.

(2) Outros entendem que a avaliação é contínua quando é feita com regularidade, sem grandes espaços de tempo a separá-las, recorrendo por necessidade a um maior número de instrumentos diversificados de avaliação, avaliação essa feita período a perído, traduzindo a avaliação final as três avaliações sumativas internas correspondentes aos três períodos letivos.

 

O despacho normativo n.º 24-A/2012, de 6 de dezembro de 2013, na secção II, artigo 3º, apenas refere que "A avaliação é da responsabilidade dos professores, do conselho de turma nos 2.º e 3.º ciclos, dos órgãos de direção da escola, assim como dos serviços ou entidades designadas para o efeito" e que "A avaliação tem uma vertente contínua e sistemática e fornece ao professor, ao aluno, ao encarregado de educação e aos restantes intervenientes informação sobre a aquisição de conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades, de modo a permitir rever e melhorar o processo de trabalho" não especificando as diferentes modalidades e instrumentos de avaliação a realizar nem explicitando a designação usada de "vertente contínua".

 

O entendimento que mais me agrada enquanto professor é que avaliação contínua é um processo de avaliação constante efetuado ao longo de cada período (do trimestre, do semestre ou do ano letivo), a intervalos de tempo curtos, que inclui, para cada unidade programática, a realização com regularidade das quatro modalidades de avaliação: a avaliação diagnóstica inicial, visando a revisão e a adequação; seguida de avaliações formativas, proporcionadoras de adequações e de informações; de avaliações sumaticas diversas, com pesos diferentes, e finalizada pela autoavaliação. É um processo de avaliação que exige o registo permanente, quase contínuo, de informação por parte do professor e também do aluno.

 

O caráter sistemático é conseguido pela repetição do processo/método de avaliação.

 

O cálculo da média, ponderada ou não, das avaliações realizadas desde o início do ano letivo traduz uma avaliação que também é contínua. No entanto, julgo que este procedimento de avaliação, em certas situações, não traduz com clareza a evolução e a aprendizagem realizada pelo aluno ao longo do ano letivo, podendo mesmo prejudicá-lo ou beneficiá-lo.

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publicado às 17:35

Para o Ensino Público, o despacho normativo n.º 6/2014 define “Hora” — como "o período de tempo de 60 minutos, no caso da educação pré -escolar e do 1.º ciclo do ensino básico, e o período de 50 minutos, nos restantes níveis e ciclos de ensino", e “Tempo Letivo” — como "a duração do período de tempo que cada escola define como unidade letiva, em função da carga horária semanal prevista nas matrizes curriculares", definindo, de forma implícita, o tempo de 10 minutos como o TEMPO mínimo DE DESCANSO atribuído após cada cada hora letiva.

 

No CCT assinado pela AEEP e pela FNE em 23 de julho de 2014, a Hora Letiva passa a ser equivalente ao Tempo Letivo, de 60 minutos, abolindo o Tempo de Descanso, excluindo-o do horário de trabalho do professor.

 

Tendo em conta a especificidade da atividade docente, as dificuldades atuais associadas ao trabalho com crianças e adolescentes, e a necessidade de manter um bom ambiente de sala de aula como condição prévia ao normal funcionamento das aulas e à aprendizagem, a exclusão do Tempo de Descanso do Hora Letiva de um professor e do aluno, em consequência, merecem-me os comentários:

 

1. Em consequência, aumenta o tempo de Hora Letiva dos alunos sem haver, por necessidade de organização dos períodos letivos da manhã e da tarde, um aumento do Tempo de Descanso dos alunos. Os intervalos entre aulas tornam-se pequenos, de 5 e de 10 minutos.

 

2. A diminuição do Tempo de Descanso, entre aulas, dos professores e dos alunos, determina, por uma lado, a um aumento do tempo de trabalho que assume um caráter contínuo, conduzindo ao aumento do cansaço e a uma diminuição do rendimento, quer dos professores quer dos alunos, e, por outro, uma insuficiente recuperação psíquica dos professores, com eventual afetação do seu rendimento nas aulas seguintes.

 

3. Tendo em conta a idade dos alunos do 2º e 3º ciclos pergunto-me se uma escola que não proporciona Tempos de Descanso (intervalos), em quantidade suficiente, cumpre uma das suas funções, a de socialização dos alunos, e torna a escola um espaço atrativo, onde os alunos gostam de estar porque, para além da aprendizagem, têm tempo para conviver uns com os outros? A sala de aula não é o espaço privilegiado para o desenvolvimento dos afetos e das amizades, tão necessárias ao equilíbrio psicológico dos alunos. Segundo o Centro de Investigação em Estudos da Criança, da UM, no contexto escolar, o recreio é reconhecidamente um tempo e um espaço importante no âmbito da promoção de atividade física em crianças. Dadas as suas características o recreio apresenta-se como uma excelente oportunidade de acumular atividade física ao longo do dia, além de outros benefícios, nomeadamente de aspetos: sociais (partilha, cooperação, comunicação, resolução de conflitos, auto disciplina, etc.); emocionais (libertação de stress, auto estima, desenvolvimento do carácter, etc.); e cognitivos (criatividade, resolução de problemas e vocabulário, etc.).

 

4. Uma Escola deve ser organizada respeitando as necessidades dos alunos e dos professores, bem como a formação e realização integral de ambos. Os tempos de convívio e de descanso são tão importante como os de trabalho e de aprendizagem. Ao não se atribuir Tempo de Descanso (intervalo entre aulas) com duração suficiente estamos a desvalorizar o desenvolvimento social e psicológico dos alunos, a sobrevalorizar o trabalho intelectual e profisional, esquecendo as inter-relações entre as três componentes do desenvolvimento e da formação do aluno, o necessário estado psíquico dos professores e negligenciado a especificade de ensinar agravada atualmente pelas funções de educar.

 

Uma Escola não existe para produzir resultados, mas sim para gerar desenvolvimento e uma formação integral sendo os resultados uma consequência e não um fim. As melhores condições de ensino e de aprendizagem não são as que se conseguem pintando paredes ou sentando os alunos em bonitas mesas ou aumentando o tempo de trabalho contínuo com os alunos mas as decorrentes do bom estado físico, inteletual, anímico e motivacional dos professores e dos alunos. Quando alunos e professores iniciam aulas ainda stressados da aula anterior (stress psíquico ou mesmo intelectual), o rendimento não será certamente o possível.

 

Acrescento que, como professor, considero que, para além do referido, tal definição de Tempo Letivo gera injustiça, por assumir que, em todas as disciplinas, o tipo de postura, de trabalho e de esforço intelectual desenvolvido e exigido são iguais para todas e que todos os professores têm igual capacidade de trabalho, de resistência, de resiliência, independentemente da sua idade e do perfil dos alunos com que trabalha.

 

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publicado às 15:48


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