Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



No contexto atual, por razões diversas, muito se tem fala de educação, das escolas, da função e qualidade dos professor, dos alunos, do papel dos encarregados de educação, sempre numa ótica do "deita abaixo" por parte daqueles que não têm um papel ativo, com base em definições e teorias estranhas, parecendo haver o propósito de desvalorizar o papel dos professores, de lhes aumentar o rol de responsabilidades, numa tentativa de os responsabilizar pela incompetência de outros.

 

A educação resulta da necessidade da sociedade de preparar os seus cidadãos. É um processo dinâmico, uma ação sobre as pessoas, que visa transformar cada sujeito, capacitando-o para interagir com o seu meio e a integração social. Tem por objetivo a sua preparação para a vida, para desenvolver-se, integrar-se e contribuir para o desenvolvimento da sociedade de que faz parte, significando portanto muito mais do que o acumular de habilidades e capacidades intelectuais, de conhecimentos científicos, técnicos e de cultura geral, ou a aquisição de capacidades manuais mas, sobretudo, o torná-lo capaz de adotar uma atitude correta diante da vida, com as melhores convicções humanas, com altos valores éticos, morais e as melhores intenções.

 

Com a educação pretende-se o desenvolvimento que capacite os sujeitos (alunos) para uma integração social sem medos caraterizada pela diversidade, pela participação consciente e pelo sentido de pertença, ao invés da homogeneização em referência a uma dada modelo comportamental, do controle de uns sobre os outros e da alienação.

 

A educação inicia-se com a FAMÍLIA - socialização primária - e dela espera-se que os alunos aprendam aptidões tão fundamentais como falar, lavar-se, vestir-se, a conviver com pessoas de diferen­tes idades, a partilhar alimentos e outros dons com quem a rodeia, a participar em jogos coletivos respeitando as regras, a distinguir a nível primário o que está bem do que está mal segundo os valores da comunidade a que pertence … É claro que, para que a educação comece na família, tem que haver família e não pode haver défices parentais.

 

Com a EDUCAÇÃO ESCOLAR - socialização secundária – inicia-se um processo de instrução sistemático, organizado, não espontâneo, fundamentado numa conceção pedagógica geral, sobre uma base didática e desenvolvida por pessoas especializadas, pelos professores.

 

Ao admitir-se o caráter holístico da educação, como um todo resultante das inter-relações entre as várias áreas de formação e de desenvolvimento, no contexto da educação escolar, as funções do professor de ensinar e de educar surgem interligadas, indissociáveis, sendo portanto mais adequado definir o professor como o sujeito que desenvolve um processo de ensino-educação, que integra o processo de ensino-aprendizagem, visando o desenvolvimento do pensamento, bem como o de educar, mais relacionado com o desenvolvimento de sentimentos, funções essas exercidas coletivamente em obediência a uma articulação horizontal entre as várias disciplinas, e vertical, entre os diferentes níveis de escolaridade.,

 

Ensinar não é o mesmo que educar. Embora não exista uma boa educação sem instrução, as qualidades morais e éticas são potenciadas e realçadas pelas qualidades associadas ao desenvolvimento do pensamento adquirido pela instrução. No entanto, uma pessoa instruída não é necessariamente uma pessoa bem-educada.

 

Ser professor é portanto ensinar e educar, para a vida, sendo de importância crucial os seus conhecimentos pedagógicos e didáticos, o seu caráter, os seus valores morais, a sua conduta ética, a sua capacidade de liderança na sala de aula bem como o exemplo operativo que dá aos seus alunos.

 

A tarefa de ensinar e de educar, cabe ao professor e, por inerência, a definição do modelo pedagógico-didático, a planificação, o desenvolvimento e a avaliação do processo são da sua responsabilidade, tendo como finalidade a instrução dos alunos com os conhecimentos e competências que tenham utilidade prática no seu quotidiano, que satisfaçam seus interesses e aprofundem seus sentimentos, num aprofundar das relações afetivas com os conteúdos, como condição importante à motivação, à aprendizagem significativa e à aquisição de capacidades garantam uma cidadania consciente e responsável em obediência a valores superiores.

 

Nos tempos atuais, face ao vazio de ética, ao relativismo moral e aos défices de educação familiar, pede-se também ao professor e à escola que, em simultâneo, dê também continuidade à socialização primária, numa tentativa de minimizar défices, tarefa essa acrescida que muitas vezes acarreta prejuízo ao processo de ensino-aprendizagem, gerando atrasos e aumentando a carga de stress dos professores, prejuízo esse que está potenciado quando se verificam grandes atrasos na aprendizagem de conhecimentos e de competências e a não manifestação de atitudes corretas para o nível de ensino que o aluno frequenta.

 

Para além das dificuldades inerentes às funções normais de ensinar e educar, verifica-se atualmente, para os professores de alguns grupos disciplinares, um acréscimo responsabilidade, de trabalho e de stress profissional, a par de uma diminuição da satisfação, decorrentes do aumento da "pressão" por parte de número crescente de encarregados de educação, da preocupação em se obterem resultados honrosos nas avaliações internas e  externas e da desvalorização do trabalho do professor.

 

Refira-se também que, apesar de a todos os professores serem atribuídas as mesmas funções, a de ensinar e a de educar, e a mesma remuneração mensal base, a professores com igual tempo de serviço, a uns a função de ensinar exige uma maior formação didática,  científica, intelectual, específica, contínua, e trabalho acrescido traduzido na elaboração de recursos didáticos específicos, no desenvolvimento de aulas mais eficientes e eficazes, e na realização da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, como instrumento regulador e certificador, tendo em conta a maior importância que alunos e encarregados de educação atribuem a algumas disciplinas, a imagem do professor perante os resultados das avaliações internas e externas e a pressão para que suas escolas fiquem bem posicionadas nos rankings.

 

Para finalizar, acrescento um outro aspeto que julgo deve merecer também alguma reflexão por parte dos encarregados de educação. Sendo a escola um local onde os professores potenciam o desenvolvimento dos alunos, seus filhos, estabelecendo e mediando relações humanas que promovem o desenvolvimento físico, psíquico e social dos alunos, preparando-os para uma integração social mais consciente e facilitada, seria de esperar que os professores fossem vistos como agentes educativos que, por pouco que pareçam trabalhar, só geram benefícios, ao invés de trabalhadores mecanizados sem sentimentos a quem se pode exigir mais pedagogia, esquecendo sua aptidão vocacional e seu desenvolvimento ético e moral que em muito determinam suas práticas. Refiro pedagogia e não didática. Cada professor só dá o que pode e nunca dará o que não tem. Tal como em todas as profissões, na docência também há os mais e os menos dedicados, os mais e menos capazes, os mais e os menos vocacionados, merecendo todos igual respeito pela diversidade, que é natural, principalmente determinada pela herança genética, e não pela adquirida resultante de diferentes formações académicas e vivências. A discordância ao nível pedagógico não se faz críticando publicamente, o que constitui uma falta de respeito, mas recorrendo à opção de liberdade de escolha. Também grave, é a crítica baseada em informações falsas sem haver a confirmação. Por outro lado, é frequente ouvir-se o discurso solidário para com as direções das escolhas, elogiando-as, esquecendo o papel dos professores no sucesso das mesmas, mais parecendo quererem agradar do que agradecer. Do diretor exige-se uma boa organização da Escola; dos professores, o seu bom funcionamento. Uma Escola de sucesso não é a que tem uma liderança forte mas a que possui uma boa liderança, unificadora em volta do mesmo espírito e visionária, e professores que têm um trabalho, e não um emprego ao qual se acomodaram, que exercem,  focalizando sua ação no aluno, com ética, honestidade, trabalho, empenho, entusiasmo, liberdade e coragem, num esforço de obter a realização pessoal e o reconhecimento profissional; quando funciona como um todo, maior do que a soma das partes. Em termos qualitativos, uma liderança forte pode ser forte, quando representativa e competente, ou fraca quando é demasiado normativa e autoritária.

 

O respeito pelos docentes, expresso em gestos de reconhecimento profissional e de solidariedade na defesa da melhoria das condições de trabalho e de remuneração,  são condições importantes que julgo necessárias à melhoria do nosso sistema educativo e do trabalho dos professores. Defender a Escola é estar do lado dos professores e dos alunos. Os professores não constituem um meio, um recurso, que se "usa e se descarta" mas, tal como os alunos, integram o produto inacabado, sofrendo também transformações positivas, merecendo também maior respeito e maior reconhecimento social face ao trabalho que têm ainda para realizar e aos resultados já conseguidos com os filhos dos outros.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:47

Sabia que o tempo de recreio é de extrema importância para o desenvolvimento saudável do seu filho?

 

O recreio é, por excelência, um espaço de encontro com o outro onde a criança exercita diversas competências sociais. Ao brincar, a criança partilha, coopera, comunica, adapta-se, escolhe, decide... Isto significa que aprende a estar com o outro e constrói-se como ser social. Por exemplo, consideremos o jogo da “apanhada”: requer cooperação, exige que a criança adote novos papéis e funções e que, em muitos momentos, ceda em função das escolhas do grupo. Portanto, é-lhe exigido que considere diferentes perspetivas e possibilidades.

 

O que dizem os estudos

 

A ideia de que as competências sociais aprendidas no “tempo livre” preparam a criança para a vida adulta remontam ao início do século passado e têm vindo a ser, cada vez mais, sustentadas cientificamente. Estudos sugerem que as pausas para recreio favorecem não só a capacidade de aprendizagem dos conteúdos escolares, mas também o desenvolvimento físico-motor e social.

 

Direito ao tempo de recreio

 

Verifica-se que as crianças têm cada vez menos pausas na escola e que essas são mais curtas. Contudo, nem sempre essa redução do tempo livre se traduz, efetivamente, em melhor rendimento académico. No nosso contexto, é absolutamente necessário assegurar que, ainda que haja aumento da carga horária, o direito a brincar e ao tempo de recreio se mantém intacto.

 

Os benefícios do recreio

 

O tempo passado em jogo livre é essencial para o bem-estar da criança, a vários níveis:

(1) - Jogos de movimento - Neste tipo de jogos a criança exercita a força muscular, o equilíbrio, a resistência, a flexibilidade e a coordenação.  

(2) - Rendimento académico - Está provado que o tempo de recreio favorece a função cognitiva, com aumento do tempo de atenção e participação na aula e uma melhoria geral do comportamento.  

(3) - Ponto de vista social e emocional - O recreio é fundamental para estabelecer relações com os colegas, construir e desenvolver amizades, aprender a gerir conflitos e tensões interpessoais e a tornar-se resiliente.

 

Artigo publicado no site da CUF - Descobertas - Hospital por Cláudia Rocha Silva em 4 de Junho 2014.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:46

Em FRANÇA, a nova reforma dos ritmos escolares, que faz parte do programa de Hollande, e que prevê uma alteração no tempo de ensino para as escolas primárias públicas. A semana escolar, que até aqui tinha quatro dias (os alunos não tinham aulas à quarta-feira), vai ter 4 dias e meio. Por detrás desta alteração está a ideia de que se adequa mais aos ritmos biológicos das crianças, uma vez que o dia escolar passa a ter menos horas, facilitando assim a concentração dos alunos. Esta reforma introduz também três horas de oficinas de atividades extra-curriculares depois das aulas.

 

E em PORTUGAL? Que alterações poderiam ser introduzidas nas escolas para adequar o ritmo dos estudos ao ritmo das crianças? Que mudanças mais abrangentes teriam de ser feitas a nível social? E as famílias? Que podem elas fazer para garantir que os seus filhos descansam e fazem outras aprendizagens (e brincam), mesmo quando os pais chegam a casa tarde e cansados?

 

Um sono saudável

Segundo dois psicólogos especialistas em educação:

 

(1) “Perder uma hora de sono equivale a perder dois anos de maturação e desenvolvimento cognitivo“. A conclusão foi feita por Avi Sadeh, psicólogo clínico israelita especialista em crianças e famílias, que tem estudado os efeitos da falta de sono nos mais novos. Sadeh conduziu um estudo que envolveu crianças do 4º e do 6º ano, sendo que estas últimas dormiram menos uma hora de sono durante três noites. No final do estudo, os alunos do 6º ano que dormiram menos apresentaram um desempenho escolar equivalente aos alunos do 4º ano.

 

(2) A maior parte dos pais que consultam a psicóloga Cristina Valente não consegue estabelecer “um padrão de sono regular” para os seus filhos, diz a psicóloga, que a propósito deste tema citou o estudo de Avi Sadeh. José Morgado, professor no departamento de psicologia da educação no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), diz que muitas crianças apresentam “um défice significativo de horas de sono saudável” e que por vezes esse défice pode traduzir-se em comportamentos de excitação e de instabilidade.

 

(3) “Se for com sono enquanto estou a conduzir, o que faço para tentar manter-me acordado? Canto, por exemplo… Os miúdos fazem o mesmo para tentar manter-se acordados: agitam-se”, explica José Morgado. Mas em alguns casos confunde-se isto com perturbações como a hiperatividade ou o défice de atenção, podendo haver um “sobrediagnóstico” destas situações quando, na verdade, as crianças “andam mal dormidas”, diz o professor do ISPA.

 

Fonte: http://observador.pt/

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:45

Pág. 2/2



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

2015

2014